domingo, 27 de abril de 2008

É imprescindível contemplar valores...

As notícias na imprensa, em geral, são desoladoras. É tanta safadeza e sacanagem neste mundo, que ser do bem, se tornou um desafio constante; e muitos conflitos internos são gerados. Se para as pessoas que se dizem do bem, em certos momentos, agem de forma errada, imaginem para quem está bem perto do mal? Imaginem para aqueles que não escolheram aonde nascer, que não tiveram o quê comer, muito menos amor, para viver. Imaginem para aqueles que foram atirados no mundo, e que, sem consciência entraram para o submundo?

Há os desprovidos de recursos financeiros, mas também, há os desprovidos de recursos humanitários. Se entrarmos em um barraco na favela, ou em uma mansão de um bairro nobre, o amor é um só, tem o mesmo valor. E as evidências são claras, se o amor não existir. Então não dá para admitir que somente os desprovidos de recursos financeiros cometam crimes e recebam punições severas. Os piores crimes, em minha opinião, são praticados por pessoas que tiveram acesso às melhores condições de vida, e conscientemente, utilizam-se do conhecimento para praticar o mal contra o outro, ou contra a sociedade. Daí, difícil mesmo, é em meio a tanta safadeza e sacanagem, fazer o mais simples: ser bom e educado.

Mas onde está a tal da educação? Uma vez que todos são educadores, dentro de uma escola, ou em outro lugar qualquer, independente da posição, função ou cargo que ocupa, a educação se torna transparente no comportamento e nas ações praticadas. Estudos que se empreenderam ao longo da História da Educação, ficaram comprovados que os primeiros anos de escolarização são marcados pelos laços afetivos, o que reforça a importância da afetividade nas relações pedagógicas.

Isso se deve ao fato de que o homem é, essencialmente, um ser social, o que dimensiona com eloqüência, a importância do vínculo que se estabelece consigo mesmo, o auto-conhecimento, a subjetividade; com os outros, saber ouvir; com o meio, no estabelecimento de suas diretrizes educacionais. É impossível, modernamente, negar o valor existencial do vínculo no desencadeamento de uma dinâmica positiva, que constitua o aporte do bom educar. Isso é o que aprendemos na teoria. É tudo muito lindo quando se busca resolver as questões da educação a partir de teorias muito bem formuladas. E na prática funciona?

E quando se trata de uma população residente em barracos, sem a menor condição de acesso às necessidades básicas de higiene, existe a possibilidade de estreitar o vínculo afetivo entre o educando e educador? Será que a proximidade do educador com uma criança limpa e perfumada é a mesma com uma criança que nunca teve orientação, nem condições de viver asseado?

Aqui está uma realidade muito distante da teoria. Não há como iludir-se ou tentar se enganar. Um professor não é São Francisco de Assis. O que deve ser feito para que um número maior de pessoas possa ter acesso às condições básicas de saúde e higiene? Quais são as pessoas que morrem de dengue? Como entender que a solução para este tipo de problema não está na teoria?

As políticas públicas baseadas em teorias de que oferecer “auxilio” gratuito é a maneira mais rápida de promover a dignidade nas pessoas, estão multiplicando o número de pessoas com todos os tipos de carência e que ficam esperando do poder público a solução de todos os seus problemas, sem exceção. Por isso, atualmente, acredito que é muito mais importante educar para que não morra a fome de viver com dignidade, por seu próprio mérito.

sábado, 19 de abril de 2008

Educação: quem se habilita?

Nas últimas décadas, o Brasil apresentou um crescimento educacional aquém do desejado, se comparado com outros países em desenvolvimento. Este baixo desempenho educacional traz conseqüências perversas para a economia, prejudicando o crescimento econômico e sendo considerada a principal causa do aumento na desigualdade de renda. Birdsal, Brus e Sabot (1996) apontam como causas do fraco desempenho escolar brasileiro, a alta desigualdade de renda e de oportunidades, a estratégia de desenvolvimento voltada para o mercado interno, a má distribuição dos gastos destinados à educação e as altas taxas de fecundidade passadas que provocaram um rápido crescimento no número de crianças em idade escolar.

Leio as notícias sobre os índices apresentados e fico preocupada. Mas fico indignada e com vergonha, quando ouço e leio as notícias de corrupção, falta de educação e falta de respeito dentro das próprias instituições de ensino. Sinto vergonha quando fico sabendo de um reitor de Universidade (Brasília) que usou o dinheiro público para decorar um apartamento com gastos exagerados e descabidos. Apesar de que é apenas uma das improbidades administrativas reveladas. E quanto todas as outras escamoteadas? Fico indignada e com vergonha ao saber de apadrinhamentos e indicações de pessoas para usufruir de benefícios, como, por exemplo, bolsas de estudos a quem possui renda suficiente para pagar mais de uma faculdade. E com relação aos que com potencial, maturidade e vontade de estudar são descartados sem nenhuma justificativa?

A indignação retorna em dobro quando ouço e leio sobre os aumentos votados e aprovados pelos parlamentares em seu próprio benefício, enquanto leis mofam a espera de votação, para contemplar os professores da rede de ensino com um piso mínimo de R$950,00 por mês. É uma discrepância fenomenal. Eles possuem uma verba que passa de cem mil reais, e a classe de trabalhadores responsáveis por uma sociedade mais promissora e desenvolvida, recebem menos de 1% de sua consideração.

Q
uem sabe se houvesse uma inversão de valores o Brasil deixaria de ser uma nação com tantas desigualdades e injustiças. É claro que com ressalvas. É importante a reciclagem de atitudes em todos os sentidos, em todos os segmentos. Educação não está só nas escolas, nas universidades... A educação está para todas as pessoas em qualquer profissão ou cargo exercido. Ser educado é ser cidadão. Ser educado é ter respeito. Ser educado é ser honesto. É necessário banir os corruptos que estão encorpando a lista de descaminhos e desperdício do dinheiro público. Quem se habilita?

domingo, 13 de abril de 2008

Quem escreve e quem lê o amor.

Eu não sei por que ainda insisto em falar de amor. Mas amar é inerente aos seres sensíveis. Como deixar de ser, de uma hora para outra? Se a busca constante da minha vida foi nesta direção. Amor. Os fins são os fins, e os meios não podem ser justificados, simplesmente, por acertos e erros. Quem pode se achar juiz das relações de vida de outra vida?

Quem pode entender a escrita de uma alma se a sua própria alma está atribulada e cheia de preconceitos? Os preconceitos são todos os jeitos de olhar o outro sem realmente compreender a dimensão e os outros jeitos de vida. Quem são os que se preocupam em superar-se e ir além dos próprios limites de entendimento para não julgar nem rotular pessoas? Ou então, a partir de sua própria vida se auto-intitularem profetas a ponto de dizer que por terem agido assim vão arder no fogo do inferno.

Um texto é universal e imprime em outros, não exatamente os sentimentos, os desejos, ou as atitudes de quem escreve, mas, aquilo que o leitor assimila a partir de sua capacidade intelectual e suas experiências vividas. Como as pessoas interpretam textos e palavras conforme o seu comportamento e conduta na vida podem estar fazendo julgamentos totalmente contrários ao que está escrito.

Uma carta pode dizer verdades de um momento vivido por quem escreve. Mas quem lê, está em outro momento e pode interpretar de forma totalmente desconexa. Em uma relação afetiva entre homem e mulher gera muitas interrogações. Algumas portas entreabrem por que os fantasmas do passado são somente de um, o outro não conviveu com os mesmos fantasmas. Ao escrever, sobre a grosseria de homens estúpidos e soberbos que se acham no direito de comprar a dignidade de pessoas, pode dar vazão ao uso de muitos óculos, menos a verdadeira lente que faz entender isso como os donos de empresas que exploram o trabalhador ou trabalhadora.

Outras cartas escritas podem ser divulgadas a uma nação inteira para explicar a existência de uma relação familiar perfeita e harmônica, no entanto as atitudes e os indícios levam para outras interpretações. A cobertura intensa da imprensa sobre a morte de uma filha querida tornou-se o maior acontecimento jornalístico atual. Profissionais de todas as áreas estão aparecendo: Policiais, promotores, peritos, porteiros, pedreiros... Todos estão sendo ouvidos pela sociedade chocada que já escolheram o responsável por este ato de total desequilíbrio mental e físico.

O que passa na cabeça de todas estas pessoas? Como olhar a vida do outro e tirar conclusões sobre o que é certo e errado? Pré-dizer o futuro... Onde está a verdade? "A verdade é substituída pelo silêncio e o silêncio é uma mentira." Ainda insisto em falar de amor por que este é o caminho que mais vale à pena. Só não entendo por que a grande maioria foge dele? Por que é tão bom receber e há tanto egoísmo em dar? Esta avareza emocional dos seres humanos intoxica o físico, maltrata o coração. E quem não entende quando há verdadeiro amor é por que em si reside muita mágoa e dor.

A existência silenciosa do amor são flores.

As flores são verdadeiras.

As flores do silêncio decidirão.

domingo, 6 de abril de 2008

Em tempo de globalização, informação é poder?

No livro, Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire afirma que o pensar certo é dialógico e não polêmico. Escrever é uma forma de dialogar, sobre um determinado assunto; ou, de “inserir-se como sujeito inacabado num permanente processo social de busca.” Ao escrever, questionam-se as próprias atitudes, e lendo, novos questionamentos são elaborados.

Informação é poder? Fica evidente que a acelerada evolução nas tecnologias de comunicação e informação provocou profundas mudanças na maneira como os seres humanos vivem, pensam e trabalham. Porém a informação crua é inútil. É necessário aprender a ler criticamente.

A educação através dos meios de comunicação é uma ótima maneira de informar e formar os cidadãos, numa sociedade que o conhecimento tem cada vez mais valor. No entanto, o mesmo valor não esta sendo atribuído à qualidade das informações, que não acompanham a evolução quantitativa, pois deixam de fora contexto e as causas.

Por exemplo: uma pessoa faz a divulgação de um evento que dá possibilidade de certificação. O certificado valoriza o currículo, no entanto, no evento, não vai haver controle de freqüência. Imediatamente um alerta do divulgador: "pessoal, mas o que vale é o conhecimento, não o controle da presença".

Qual é o conhecimento a que ele se refere? Aquele adquirido ao participar do evento, assimilando o que é trazido pelos palestrantes? Ou o "conhecimento" de pessoas influentes que apadrinham não pelo que consta no intelecto, mas pelo número de certificados "adquiridos" ao longo de sua jornada acadêmica?

Realmente conhecer pessoas é importantíssimo. Mas qual é o tipo de relação que se estabelece? Será que é muito difícil firmar relações no mundo das idéias? Quanto tempo falta para isso acontecer? Para a pessoa acordar e a sociedade despertar?

Noutro contexto, a última reunião da OMC - Organização Mundial do Comércio, onde não houve acordo com os países do sul, na liberação das taxas para exportação de produtos agropecuários. Qual é o motivo desta queda de braço dos países desenvolvidos?

Uma revisada nos dados estatísticos, e verifica-se que na década de 80, mais precisamente 83 a 85, o governo brasileiro, buscou políticas que garantissem saldos comerciais crescentes, para cobrir os custos da dívida externa, através do setor agrícola e nos ramos agroindustrial processadores, o que representou em torno de 75% dos juros brutos da dívida externa brasileira.

Esta informação, provavelmente, faz parte das políticas econômicas dos países ricos. Havendo liberação comercial neste setor, podem sofrer queda na comercialização dos seus produtos; e os países subdesenvolvidos correm os riscos de não mais precisarem da agiotagem internacional. Ou não?

A informação de qualidade sobre um determinado tema, é que permite ao leitor formar sua opinião, a partir do seu nível intelectual, aprofundando a compreensão do mundo, e com subsídios para atuar na sua realidade para melhorá-la. Já a qualidade da informação depende da ética, dentro da qual, implica também, por parte de quem informa - jornalistas e meios de comunicação - assumir uma postura política, caso contrário, vai prevalecer à desinformação e a deformação da sociedade que os sustenta.

Este talvez, seja o melhor caminho para a construção de uma sociedade justa e democrática, no qual, os meios de comunicação podem contribuir, partindo de uma leitura e cobertura dos fatos, elaboradas e éticas, sem usar discursos, em nome do bem público, que só servem para prejudicar determinados grupos.

Referências – Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia, Pedrinho Guareschi, Uma nova comunicação é possível, e Sociologia Crítica, Fernando Rossetti, Gilberto Dimenstein (Folha de São Paulo), José Graziano da Silva. - A nova dinâmica da agricultura brasileira, cap. 4.

domingo, 30 de março de 2008

Em tempo de globalização auto-valorização local é fundamental.

Este é um período de grandes e profundas transformações resultantes de um fenômeno que alterou substancialmente o nosso modo de analisar o mundo, graças essencialmente à tecnologia, e uma íntima conexão entre gramáticas sociais localizadas e práticas de cunho global, derrubando as distâncias, as fronteiras de tempo e espaço, permitindo que um número crescente de indivíduos tome consciência de eventos que, até então, eles não tinham o menor conhecimento.

Isso significa dizer que só haverá cidadania plena quando as pessoas puderem, consciente e livremente, participar das decisões que afetarão seus próprios destinos, tanto a nível local, quanto global, já que esses dois âmbitos são interdependentes, e poderão possibilitar o aparecimento de posições mais críticas diante da realidade, podendo resultar em uma genuína conscientização do cidadão como um indivíduo que vive e pratica cotidianamente a democracia, entendida esta como um projeto sempre inacabado, que necessita constantemente de ser revisto, reconstruído e legitimado, realçando a tentativa de inclusão radical de todos, de modo igualitário, sem significar com isto uma negação das diferenças, das especificidades do outro.

Diante destas transformações e da agilidade tecnológica, sirvo-me dela, agora, para destacar a importância da realização do projeto REDESCOBRINDO A CIDADE por alunos da EEB Carlos Fries em Ipira SC. Nos últimos dias de cada ano letivo, tenho por hábito fazer uma avaliação geral com os alunos com objetivo de melhorar as aulas dadas recebendo críticas e sugestões, para que no próximo ano as aulas atendam suas expectativas, sejam agradáveis e que os motive a serem mais participativos. Foi a partir de suas sugestões que o projeto REDESCOBRINDO A CIDADE foi idealizado e pré-elaborado. Hoje já está aceito por eles e a cada dia são incorporadas novas idéias e sugestões dos próprios alunos. Enfim, o projeto já está em andamento: Elaboração de questionários, entrevistas, observação dos rios da cidade, busca de imagens, mapas e fotos antigas, e tem tudo para dar certo com o envolvimento de todos os alunos, os professores e os gestores da escola.

O projeto parte de uma abordagem ampla, NATUREZA, CULTURA E ECONOMIA para buscar informações junto ao público alvo – os moradores mais antigos e os empreendedores que fornecem os dados e contam suas histórias – o que aglutina a cultura e as opiniões sobre a fauna e flora local em entrevistas pessoais e as atividades econômicas desenvolvidas com o objetivo de oportunizar aos alunos a pesquisa de campo, onde possam redescobrir a cidade, reconhecendo os aspectos histórico-culturais, as atividades econômicas as modificações na natureza do lugar, para que possam vir a ser cidadãos com maior atuação na comunidade.

Quanto aos procedimentos e/ou as etapas metodológicas, fica-se com a alternativa, de ouvir os habitantes do lugar, enfatizando os dados obtidos através das aulas, e em depoimentos orais obtidos através de entrevistas abertas e conversas informais com pessoas de idade avançada, nas várias partes da cidade. Haja vista que essas histórias refletem o “mundo vivido”, e possibilitam uma melhor compreensão das relações entre o homem e os lugares, onde quem conta a história não está querendo manifestar competência, mas apenas narrar o fato vivido.

Este projeto é uma tentativa de analisar os aspectos naturais, histórico-culturais e atividades econômicas no Município de Ipira, sua importância para o ensino em todas as áreas e sua contribuição para a formação da cidadania. È também um esforço de desvendar qual o significado simbólico da cultura local, ou seja, que tipo de sentimento existe entre os habitantes, a cidade em que vivem, e o porquê deste sentimento, seja qual for o tipo, indo para além das relações econômicas, buscando uma identificação com as paisagens naturais e culturais, que também são percebidas através da representação de versões ideais, na pintura e na poesia, como também no discurso científico e nos escritos acadêmicos.

segunda-feira, 24 de março de 2008

QUAIS SÃO AS ESCOLHAS E DECISÕES DE UM INDIVÍDUO COLETIVO?

Quais são as escolhas e as decisões tomadas por um individuo enquanto individuo consciente das responsabilidades de seus atos em relação ao planeta, e enquanto indivíduo coletivo atuante no grupo inserido? É neste pensamento que seguem as minhas divagações. “O que age na mente de um indivíduo, também ocorre quanto ao consciente coletivo de um grupo. Para pertencer a um grupo de qualquer tipo, o preço tácito da admissão consiste em concordar em não notar a própria sensação de mal-estar e de dúvida, e certamente não questionar qualquer coisa que seja um desafio ao modo do grupo de fazer as coisas”.

Qual é o preço a ser pago para entrar em um determinado grupo? A primeira questão é que “o novo” já é motivo natural de rejeição. Um grupo fechado dentro de suas porteiras, limitados por suas mazelas tradicionais não evolui e não tem maturidade para aceitar qualquer ação ou opinião contrária. “O preço para entrar no grupo, nesse arranjo, é que a dissensão, mesmo a dissensão saudável, deve ser abafada” por todos do grupo, camuflando as pequenas verdades enraizadas e jamais ditas, pois quando a razão vem à tona ridiculariza e afronta os porões individuais.

Nestes porões se perdem. No escuro tateiam. Não encontram os degraus para chegar ao primeiro andar. A claridade fica trancada fora. Fecham-se. Trancam-se em porões escuros, sombrios e frios utilizando narcóticos da auto-ilusão, pois, cada um tem acesso a uma pequena verdade que precisa ser dita e não possuem a coragem de procurar e expor a verdade que pode salvar. Não conseguem abrir o casulo do silêncio para chegar às verdades vitais ao consciente coletivo. E tornam-se sem poder. E sofrem.

Enquanto isto, outros já estão no último andar de um prédio de vinte andares. Confortavelmente instalados. E com todo o poder em suas mãos nem percebem a dor dos que sofrem nos porões. Para sair desta prisão subterrânea é preciso se munir de muita coragem, tatear firmemente na escuridão subir os degraus, chegar ao primeiro andar, juntar-se aos demais. Muitos já estão vivendo dias claros no primeiro andar e já conseguem dizer a verdade aos donos do poder.

Os que vivem nos porões estão anestesiados e evitam adquirir informações que possam transformar seus temores vagos em realidades específicas que exijam ações decisivas e resolvem ignorar as implicações das informações que recebem como se o problema fosse de todos e não como se fosse de uma pessoa qualquer tentando esconder uma verdade dolorosa e ameaçadora desviando a atenção para outro alvo.

A atenção desviada para outro alvo é a coleta de informações cruciais para a sobrevivência. Ansiedade é a reposta, quando essa informação é registrada como uma ameaça. A parte mais curiosa dessa relação é evidente: podemos usar a atenção para negar a ameaça, protegendo-se do outro alvo e desse modo protegendo-se da própria ansiedade. Este é mais um preço a ser pago quando se está inserido num grupo. Os porões da auto-ilusão sufocam o indivíduo a ponto de cegar e escurecer os ambientes do primeiro andar. Não conseguem abandonar o frio do porão. O lado sombrio de suas mentes.

Com o impulso de obscurecer fatos desagradáveis um grupo pode exigir implicitamente dos seus membros o sacrifício da verdade para preservar uma ilusão. Assim, o estranho representa uma ameaça em potencial aos membros do grupo se usar a verdade, pois essa verdade solapa a ilusão compartilhada, ainda mais se revelada. Na era da informação a verdade é a melhor das mercadorias. A ilusão, uma espécie de moeda falsa.

domingo, 16 de março de 2008

O perigo da auto-ilusão.

A sensação é de um momento perigoso onde a auto-ilusão pode perpassar mais de uma mente, quiçá a mente planetária. Sabe-se das ameaças que o planeta enfrenta hora dantes nunca vistas. É o desconhecimento da destruição exponencial o assunto de urgência a ser tratado. Em período recente atrás, a humanidade estava sob a égide de uma guerra nuclear e das mudanças catastróficas que pudessem acarretar. Hoje se percebe a morte lenta, ecologicamente incorreta que assombra o planeta pelo desmatamento das florestas, do mau uso da terra para o cultivo e da água potável. É aqui onde a capacidade do ser humano de auto-iludir-se faz a sua melhor parte.

A televisão mostra todos os dias, o trânsito caótico das grandes cidades. A quantidade de carros aumentou tanto que está sendo praticamente inviável andar de casa para o trabalho no tempo previsto. “Em um trajeto que eu posso fazer em 40min estou levando 2hs”. “Desço do ônibus uma parada antes, por que o trânsito fica congestionado, demoro mais para chegar ao centro, prefiro ir a pé”. “O governo precisa arrumar uma saída, construir alternativas para melhorar o trânsito”. “Poderiam construir pistas para carros sobre o rio Tietê, já que não vão despoluir mesmo”. Essas são falas de pessoas que vivem o dia-a-dia de São Paulo, a maior cidade brasileira.

Os hábitos de consumo, em escala mundial, estão destruindo os recursos do planeta em uma velocidade sem paralelo em toda a história. O planeta, das gerações futuras, está sendo destruído, simplesmente pelo descaso com que se trata a ligação entre o modo de vida e seus efeitos sobre o planeta. E as pessoas que vivem no trânsito caótico auto-iludem-se quanto ao uso cômodo de um automóvel e responsabilizando qualquer pessoa, menos a si própria.

É essa a questão. Vive-se a própria vida ignorando as conseqüências para o planeta e para os descendentes, desconhecendo as conexões entre as decisões diárias – de comprar isso ou aquilo – e o ônus que essas condições representam para o planeta. Seria possível pesar, com exatidão relativa, o dano ecológico envolvido num dado ato de fabricação, e, depois disso ainda gerar um padrão que resuma a extensão do dano da fabricação de um carro, ou de uma caixa de alumínio? Quantas empresas automobilísticas se instalaram no Brasil nos últimos 10 anos?

Este mês a pauta é conscientização sobre a água. Com as informações que vão pipocar na imprensa, nas escolas, na internet, o que fazer com elas? Com este conhecimento adquirido como passar a assumir maior responsabilidade pelo impacto que o nosso modo de vida tem sobre o planeta? Porém esta informação não está acessível, e mesmo os que mais se preocupam com a ecologia não sabem exatamente qual é o efeito, e para a maioria, ignorar é a forma mais fácil que permite deslizar para uma grande mentira, ou auto-ilusão, convencendo-se que as pequenas ou grandes decisões de nossa vida material nem tem tanto impacto assim, e por isso pouco importa ao planeta.

"O que age na mente de um indivíduo, também ocorre quanto ao consciente coletivo de um grupo. Para pertencer a um grupo de qualquer tipo, o preço tácito da admissão consiste em concordar em não notar a própria sensação de mal-estar e de dúvida, e certamente não questionar qualquer coisa que seja um desafio ao modo do grupo de fazer as coisas”.

O parágrafo anterior está para o fechamento deste artigo, bem como para o início de outro, que envolve as decisões de um individuo enquanto individuo consciente das responsabilidades de seus atos em relação ao planeta, e enquanto indivíduo coletivo atuante no grupo inserido.

Fonte de inspiração: Livro – Mentiras Essenciais, Verdades Simples. A psicologia da auto-ilusão. Daniel Goleman. Autor de Inteligência emocional.

Penso, logo existo?

  Penso, Logo Existo? (LAPIDAR O SER – 1998) Penso, logo existo? Existo? Então preciso pensar E produzir.   Bons pensamentos Perduram, Os ma...