segunda-feira, 4 de maio de 2009

OBSERVANDO O COTIDIANO

Observando o comportamento de pessoas no dia-a-dia, questionando, dialogando, vendo e presenciando coisas que ferem a conduta pessoal; e, quando não há um movimento preciso para a realização plena de um exercício cotidiano ético; resguardo-me e busco alento em palavras escritas por outras pessoas que também observam em outros lugares fatos que se repetem e se espalham sem controle. Eis, algumas reflexões do consultor de empresas e conferencista Stephen Kanitz que escreveu um artigo intitulado "Ambição e Ética", publicado:

Ambição e Ética
Kanitz define a ambição como sendo tudo o que você pretende fazer na vida. São seus objetivos, seus sonhos, suas resoluções. As pessoas costumam ter como ambição ganhar muito dinheiro, casar com uma moça ou um moço bonito ou viajar pelo mundo afora. A mais pobre das ambições é querer ganhar muito dinheiro, porque dinheiro por si só não é objetivo: é um meio para alcançar sua verdadeira ambição, como, por exemplo, viajar pelo mundo. Já a ética são os limites que você se impõe na busca de sua ambição. É tudo que você não quer fazer na luta para conseguir realizar seus objetivos. Como não roubar, não mentir ou pisar em outros para atingir sua ambição, ou seja, é o conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão.
A maioria dos pais se preocupa bastante quando os filhos não mostram ambição, mas nem todos se preocupam quando os filhos quebram a ética. Se o filho colou na prova, não importa desde que tenha passado de ano, o objetivo maior. Algumas escolas estão ensinando a nossos filhos que ética é ajudar os outros. Isso, porém, não é ética, é ambição. Ajudar os outros deveria ser um objetivo de vida, a ambição de todos, ou pelo menos da maioria. Aprendemos a não falar em sala de aula, a não perturbar a classe, mas pouco sobre ética.
O problema do mundo é que normalmente decidimos nossa ambição antes de nossa ética, quando o certo seria o contrário. E por quê? Por que dependendo da ambição, torna-se difícil impor uma ética que frustrará nossos objetivos. Quando percebemos que não conseguiremos alcançar nossos objetivos, a tendência é reduzir o rigor ético, e não reduzir a ambição. O mundo conheceu a história de uma estagiária na casa branca, que colocou a ambição na frente da ética e tirou o partido democrata do poder, numa eleição praticamente ganha, devido ao enorme sucesso da economia na sua gestão.
Não há nada de errado em ser ambicioso, desde que se defina cedo o comportamento ético. Quando a ambição passa por cima da ética como um rolo compressor, o resultado é o que podemos acompanhar nos noticiários que ocupam as manchetes em nosso país. Assim, para mudar definitivamente essa situação, é preciso estabelecer um limite para nossa ambição não nos permitindo, em hipótese alguma, violar a ética para satisfação pessoal, em detrimento do coletivo.
Conforme ensinou Jesus, "seja o seu falar: sim, sim, não, não". Seja em que situação for. E se estiver difícil definir se estamos agindo com ética ou não, basta imaginar como julgaríamos esse ato, se praticado por outra pessoa. Se o condenamos é porque não é ético. Se o aprovamos e julgamos justo, então podemos seguir em frente. Defina sua ética quanto antes possível. A ambição não pode antecedê-la, é ela que tem de preceder à sua ambição.
"Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço do conhecimento saber o que ela não é." Carl Gustav Jung

segunda-feira, 20 de abril de 2009

E por falar em felicidade...2

Como um professor pode ser feliz diante das incoerências aplicadas a cada dia que passa por nossos superiores? A mais recente foi esta:
No mês de março os trabalhadores em educação tiveram descontado no seu contracheque o famigerado imposto sindical por conta da decisão política do governo federal de descontar dos servidores públicos, e também porque o governo do Estado fez um acordo com a Confederação dos Servidores Públicos do Brasil para descontar tal imposto de todos os servidores estaduais.
Tal fato não soou bem aos ouvidos dos servidores da educação estadual. A reclamação é geral, ainda mais depois de recebermos uma correspondência justificando que era um cumprimento de Lei Federal.
A ironia nisto tudo é que uma Lei Federal é cumprida na hora de tirar do trabalhador, porém na hora de beneficiar, como por exemplo, o piso salarial de R$ 950,00 (Novecentos e cinqüenta reais) tal Lei, não pode ser cumprida. E aos que já recolhem imposto sindical, como é que fica? É legal a cobrança de dois valores de contribuição sindical? Aqui ilustro com uma música... É ILEGAL É IMORAL OU ENGORDA.

Prosseguindo...
Ouve-se altos brados com relação à melhoria da educação, as metas que o Brasil busca para equiparar-se aos países de primeiro mundo. Será que com estas medidas que desmotivam qualquer profissional da área, há realmente a preocupação de melhorar a educação no país? E quanto aos problemas enfrentados, por muitos professores, em relação a falta de equipamentos, materiais, recursos pedagógicos, necessários à realização de projetos de ensino-aprendizagem que oportunizem aulas mais agradáveis e criativas proporcionando conhecimento científico aos alunos?
O que dizer quanto à falta de recursos mínimos em áreas afastadas dos centros urbanos? Há lugares que não possuem quadro negro, nem professor, nem transporte. O que dizer sobre a merenda que chega aos seus destinos, após muitos dias, sobre o lombo de um burro? Ai quanta tristeza! Isso é para acabar com a expectativa dos índices de educação.
Acima disso tudo, há uma grande camada de representantes no Legislativo, todos inflados em seus egos, cometendo as maiores gafes ao serem questionados por humoristas da televisão. (CQC – Rede Bandeirantes segunda-feira). Em suas respostas demonstram que desconhecem as Leis, o nome dos ministros atuantes nas pastas, e nem sabem tão pouco, quais são as pastas existentes.
É humilhante para quem é trabalhador da educação identificar tantos deputados mal educados. Estes são os filhos da educação brasileira? Com base nestes acontecimentos, não basta somente aumentar o IDEB, é preciso derrubar esta couraça maldita da falta de cultura política e contaminar um maior número de pessoas que possam ser corajosas o suficiente a ponto de dizer NÃO a falta de honestidade, a falta de inteligência e que estejam sustentados por uma fé inabalável em justiça.
Não ouso usar estas palavras apenas para fazer criticas ao sistema, mas, por entender que os nossos jovens precisam de pessoas corajosas que os façam enxergar uma luz no fim do túnel, e que possam sonhar e fazer planos para um futuro de felicidade.
Toda criança em idade escolar deve estar na escola? Pois então, é exatamente na escola que os jovens começam a sonhar. E como estimular os sonhos de uma criança se a própria criança já morreu dentro do professor? Se não há mais nada que os impulsione em sua profissão? Muito pessimismo? Não, isso é o que percebo na voz embargada de colegas próximos e de outros que vivem uma realidade bem distante da minha, quando dão seus depoimentos na imprensa.

Com este cenário apresentado, será que é possível para um trabalhador em educação sentir-se feliz?

E por falar em felicidade...

Terapeutas, psicólogos, analistas, e mais pessoas sensíveis à busca de um conforto maior para a alma se esmeram em reflexões, estudos, elaboram teorias e divulgam, nos mais variados meios de comunicação.
Recentemente, ao acessar um site, Minha Vida, observei uma enquete: "O que mais te estressa?" Por curiosidade, cliquei para ver a porcentagem dos resultados, e para a minha surpresa o ranking era o seguinte: Filhos 10%, Trânsito 18%, Trabalho-19%, Falta de tempo 23% e Relacionamento 30%. Em outro lugar do Brasil Milena Lhano (terapeuta floral, grafóloga e iridóloga) também, curiosamente, fez uma reflexão que eu compartilho com vocês.
Ela partiu do seguinte questionamento: "Por qual motivo as pessoas têm se estressado mais com os seus companheiros do que com o trânsito que anda insustentável ou com a falta de tempo que por vezes nos faz abdicar de alguns prazeres pessoais?".
Aliou aos seus conhecimentos suas idéias e experiências profissionais e pessoais, e chegou à conclusão de que os principais motivos para tal estatística são a rotina, a frustração pela falta de tempo para a família, a irritabilidade por desejar que o outro seja como você, as brigas, os ataques de ciúme, a ex, o colega de trabalho, as crianças pequenas, as contas da casa, a situação financeira do casal, a falta de sexo, falta de diálogo e as manias irritantes, entre outros hábitos.
Após tal divagação pensou em sugerir algumas dicas como forma de ajudar a reduzir o estresse, e deixar de fazer parte dessa triste estatística, pois é no relacionamento que devemos nos sentir mais felizes, amados, completos e realizados, sendo assim, são ações que podem evitar o estresse no relacionamento.
- No caminho do trabalho para casa, procure te acalmar, ouça música, leia um livro, para evitar um confronto em casa. Não te esqueça que os familiares e os parceiros não são culpados pelos teus problemas no trabalho.
- Durante as refeições e principalmente, os almoços e jantares comemorativos, aproveitem esse tempo para conversas agradáveis e não cobranças, acusações e brigas.
- Converse com o parceiro (a) e as pessoas da família sobre os teus problemas, ao invés de despejá-los sobre o outro. Se algo está acontecendo na sua vida, converse e exponha os teus sentimentos, ao invés de gritar.
- Evite "dar motivo" para brigas fazendo coisas que você sabe que a outra pessoa não gosta.
- Respeite a individualidade do outro e permita a ele momentos de solidão e reflexão.
- Evite criticar a família da outra pessoa, pois não é só você, mas todo mundo exige respeito com a mãe, o pai e os irmãos, por mais diferentes e desagradáveis que eles sejam.
- Compartilhe a educação do filho conversando antes de tomar qualquer decisão, para que um não acabe tirando a autoridade do outro, ou passando por cima da confiança do companheiro e das regras da casa.
- Amplie a sua forma de ver o mundo, não enxergue tudo com os seus olhos e nem exija que os outros vivam ou ajam de acordo com o que você acha certo. O seu marido não é obrigado a gostar de comida vegetariana, e nem a sua mulher de assistir futebol no bar com os amigos.
- Não fique junto apenas por conveniência, pois um relacionamento é feito de amor, carinho, respeito e companheirismo. Se nada disso existe, é porque não há mais um relacionamento e sim uma convivência, que talvez até esteja extremamente desgastada e desprazeirosa para ambos.
Em meio a tanta agitação, correria diária, labuta do cotidiano é preciso pequenas mudanças para resultar na felicidade tão desejada. As dicas nos chegam todo momento de todas as formas, então, quem deve tomar as rédeas para conquistar a felicidade?

domingo, 5 de abril de 2009

Brincar com as palavras. Fazer Poesia.

Por que brincar com as palavras? Por que fazer poesia? Como utilizar as mídias (impressas, internet, vídeo) para articular uma proposta educativa que desenvolva a criatividade, a imaginação, o gosto pelo aprender a ler e escrever e que desperte a curiosidade de brincar com as palavras fazendo poesia. Como fazer isso? Foi assim que surgiu o projeto Brincar com as palavras. Fazer poesia. Como articular uma proposta educativa que desenvolva a criatividade, a imaginação, o gosto pelo aprender a ler e escrever e que desperte a curiosidade de brincar com as palavras fazendo poesia com a utilização das mídias impressas, internet e vídeo.

Foi uma preocupação que surgiu após observações realizadas nas salas de aula e nas práticas pedagógicas. Muitos alunos têm dificuldades para ler fluentemente e produzir um texto. Com base nas pesquisas, em leituras, e em nossa prática educativa, sabendo que a poesia geralmente se apresenta como um instrumento norteador da liberdade e da criatividade infantil delineou-se como principal objetivo, proporcionar, aos alunos do ensino fundamental, uma proposta educativa significante, que desperte o gosto pelo aprender - ler e escrever - como instrumentos básicos para o ingresso e participação na sociedade letrada em que vivemos.

Nesta perspectiva, sabe-se que a leitura e a escrita são instrumentos essenciais para o indivíduo construir seu conhecimento e exercer a cidadania, ampliando a compreensão do mundo. Faz-se necessário, no entanto, entender que um sujeito alfabetizado é aquele que sabe ler o que está escrito e o que está implícito, utilizando as informações para a sua vida.

Este projeto foi elaborado por meu grupo de estudos no ciclo intermediário Programa de formação continuada em MÍDIAS NA EDUCAÇÃO da SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – SEED/MEC ministrado pela UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE. Com este projeto, almejam-se resultados diversos, tais como: que os alunos desenvolvam o gosto pela leitura e pela escrita, de forma descontraída e divertida, a partir da utilização dos textos poéticos. Bem como, por outro lado, ao explorarem o vocabulário de diferentes e variadas poesias, conheçam novas palavras e aumentem suas possibilidades de expressão verbal. Espera-se também que despertem o desejo em querer ler muitas outras poesias em outros momentos sentindo prazer que as mesmas podem propiciar.

Uma amostra da aplicação do projeto nas aulas de Geografia com a turma da 8ª série do ensino médio, uma poesia criada por alunos com o tema desenvolvido no primeiro bimestre deste ano. Globalização e Tecnologia.
TECNOLOGIA

Autores: Alex e Jean (8ª série Ensino Fundamental)

A Tecnologia está avançada
Temos telefones e celulares
Micro-chips e câmeras digitais
Com tudo isso
O mundo rende muito mais
Temos poderosos computadores e TVs
Essa tecnologia toda
Faz-nos acreditar até em ETs
Temos belas paisagens e belas casas
E muita violência também
Muitas pessoas morrem
Violentadas.
A tecnologia deixa muitas pessoas nuas
Mas também ajuda
A descobrir água na lua.
E aqui estamos nós
Fazendo uma poesia
Para que você saiba
O que é tecnologia.
(...) a poesia nunca é totalmente consumida. Por mais que você devore um poema,
o sentimento que ele provoca jamais se esgota. (Rubem Fonseca)

Onde habita essa tal felicidade? A felicidade é uma utopia?

Já faz algum tempo que se ouvem frases feitas em relação a tal felicidade “Felicidade não existe o que existe são momentos felizes”. Thomas More, um brilhante escritor, que escreveu Utopia, foi capaz de estruturar e formular teoricamente um modelo de sociedade a partir de uma crítica obstinada à organização social de seu tempo, incluindo a felicidade como um dom divino. Outro pensador ilustre, Bertrand Russell, assim como o primeiro, na Inglaterra, cinco décadas mais tarde também escreveu sobre a felicidade. Desde os princípios da sua adolescência começou a mostrar-se cético acerca dos dogmas religiosos, convencido de que a felicidade terrena era o fim essencial da vida. E no presente, a felicidade está fragmentada à vida das pessoas. O que se perdeu ao longo dos anos? O que a humanidade ganhou e não percebeu?

As idéias de Thomas More eram profundamente humanistas, estavam marcadas por contradições, dualismos e paradoxos. O bem e o mal eram questionados a luz da razão e do misticismo ao mesmo tempo. Enquanto ele desacreditava da bondade humana e de suas leis, tinha pelo homem um carinho quase metafísico que vem da crença na justiça eterna e na imortalidade da alma. Foi decapitado em 1535 por se negar a abandonar o catolicismo, a mando de Henrique XVIII. Ele acreditava que a predominância das necessidades coletivas está baseada na filosofia do prazer. É pensando em felicidade e nos prazeres que se pode dar sentido e razão a existência dessa sociedade: o bem comum, a igualdade, a ausência de orgulho mesquinho e a busca pelo prazer.

Nessa sociedade a felicidade tinha de ser pensada coletivamente. Não teria sentido um mundo de igualdade se não fosse pensado com o intuito de alcançar a felicidade. A busca pelo prazer é o que vai dar uma razão ideológica para essa sociedade igualitária e rigidamente controlada. More entendeu como dialética a relação entre igualdade e liberdade e optou pela igualdade. Tendo em vista alcançar o bem comum e a felicidade coletiva, ao mesmo tempo objetivos e instrumentos ideológicos para a construção e manutenção dessa sociedade, viu na igualdade material a estrutura básica para essa sociedade, entretanto teve dificuldades em inserir liberdades individuais nesse universo.

E Bertrand Russell em seu livro A conquista da Felicidade coloca que “A felicidade de um reformador ou de um revolucionário depende da evolução dos negócios públicos, mas possivelmente, mesmo quando é executado, goza duma felicidade mais real do que a do cínico que vive confortavelmente. O que me fez lembrar um jovem chinês que visitou a minha escola e ia regressar ao seu país para fundar uma escola semelhante numa região reacionária da China. Em resultado deste empreendimento, ele poderia ser decapitado. No entanto gozava de uma felicidade tranqüila que eu não podia deixar de invejar. Não desejo sugerir porém, que essa espécie de felicidade, um tanto orgulhosa, seja a única possível, até porque ela não é acessível senão a uma minoria, pois exige determinadas capacidades e uma extensão de interesses que não são muito vulgares.”

Como fazer com que o prazer do trabalho seja acessível a todos e que exerçam qualquer atividade que requeira perícia ou saber especial, desde que possam achar satisfação no exercício dos seus talentos sem necessidade de aprovação universal? Como oportunizar ao cidadão a busca do prazer, sem que o seu possa resultar em prejuízo, ou mal a outrem? Hoje não é mais uma ilha onde vivem os cidadãos. A ilha Utopia se tornou uma grande aldeia global e a felicidade habita de maneira individualizada, talvez por isso a fragmentação. E também, talvez por isso, a impossibilidade de se pensar em uma sociedade justa, solidária e igualitária. As probabilidades futuras são de que milhares de pessoas estarão à margem das coisas indispensáveis à felicidade, as coisas mais simples: a alimentação, a casa, a saúde, o amor, o êxito no trabalho, o respeito das pessoas que as rodeiam. A felicidade para estas pessoas é uma utopia?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mestre, por que me sinto inferior?

Certo dia um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mêstre, sua beleza e o encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior.
Ele então disse ao Mestre.
- Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me senti assim antes.
Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora? O Mestre falou:
- Espere, quando todos tiverem partido, responderei.
Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o samurai perguntou novamente:
- Agora você pode me responder por que me sinto inferior?
O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:
- Olha para estas duas árvores: a árvore alta e a pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse á maior: Por que me sinto inferior diante de você? Esta árvore é pequena e aquela é grande- este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso.
O samurai então argumentou:
- Isto se dá porque elas não podem se comparar.
O Mestre replicou:
- Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto à maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer. Simplesmente olhe á sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida. Somos todos tão iguais em nossas buscas, em nossa sede de amar e sermos amados, de libertar e sermos livres. Ninguém é superior ou inferior a ninguém. Somos todos viajantes da mesma nau, aprendizes cursando a escola da vida. E a melhor ferramenta neste caminho de igualdade é o AMOR. Ele nos torna semelhante, ele nos despe de todas as máscaras de superioridade que vestimos para nos escondermos de nós mesmos, para enfrentarmos o nosso maior inimigo: o EGO. Aquele, que sempre grita que temos que ser superiores aos outros.

Não temos que ser nada, nem maior nem menor que ninguém. Temos que ser iguais. Nem caminhar à frente e nem atrás de alguém, mas sim AO LADO DE alguém. Exatamente assim, andando com o mesmo pé, no mesmo passo e no mesmo compasso, formando um verdadeiro muro de buscadores de seu Eu Interior. É bem assim que vejo a vida e as pessoas, uma imensa muralha caminhando desordenada em busca de não sei o que, ansiosas, agitadas, se arremessando no mundo material, brigando por cargos e espaços, sem objetivos, a não ser derrotar os seus semelhantes por bens materiais, por um salário melhor, por um título a mais na parede de sua sala. E tudo é tão simples, está bem ali diante de seus olhos: a busca de si mesmo. Elas se esquecem que o mundo é um reflexo de nós mesmos, é uma projeção de nosso verdadeiro Eu Interior. Se nosso Eu é atribulado, nosso mundo é pequeno, espremido, agitado. Se nosso Eu é sereno e ponderado, nosso mundo é amplo, claro, calmo.

Tudo é muito igual, só temos que ter olhos de Amor e perceber a Sabedoria Divina em todas as coisas. Somos produtos de nossas formas pensamentos, não importa qual nossa cor, raça, cultura. Somos diferentes fisicamente, mas muito iguais espiritualmente.

Que o Amor ilumine a cada um e que, como as árvores, cada um possa sentir-se encaixado dentro do mundo, dentro do seu mundo interior. AMO VOCÊ, conte sempre comigo, em todos os momentos de dúvidas, eu na minha pequenez e simplicidade estarei ao seu lado.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Decisões e Escolhas: Uma Questão Essencial

O artigo de José Augusto Wanderley é o que escolho para compartilhar com os leitores. "A vida é a arte das escolhas, dos sonhos, dos desafios e da ação"

Ele escreve que os caminhos da vida são feitos de decisões e escolhas. Assim, o que cada um de nós é hoje, seja na sua vida profissional, seja na sua vida pessoal, é conseqüência destas escolhas e das ações adotadas para efetivá-las. Algumas são essenciais e importam decisões sobre nossa religião ou nosso papel social. Outras são operacionais, como a roupa que vamos vestir para ir trabalhar. Queiramos ou não, conscientes ou inconscientes, por ação ou omissão, estamos sempre fazendo escolhas. E nunca é demais lembrar que não escolher já é uma escolha; Se queremos ser os timoneiros da nau da nossa vida, devemos procurar ser conscientes das escolhas que fizemos e estamos fazendo, pois é esta consciência que nos permite assumir a responsabilidade pelos nossos atos e, conseqüentemente, continuar com o que estamos fazendo ou então mudar. A questão básica é o que aprender para que possamos ter êxito neste mundo de crescente insegurança, complexidade, ambigüidade e imprevisibilidade. E isto também é uma escolha.
O autor destaca algumas escolhas que estamos fazendo a todo o momento e ilustra com um exemplo: O general franquista Millan d’Astray, nas suas palavras na Universidade de Salamanca, na frente do filósofo Miguel de Unamuno, proferiu sua célebre frase: "Abaixo a inteligência. Viva a morte!". E esta é a grande questão. Estamos escolhendo a vida ou a morte do planeta em que habitamos? Todas aquelas pessoas ou empresas que contribuem com poluição ambiental e destruição dos ecossistemas, chuvas ácidas, aumento da temperatura na Terra e a conseqüente elevação dos níveis das marés, destruição da camada de ozônio, desmatamentos indiscriminados e a existência de pessoas vivendo em condições subumanas, em função da ganância, da busca do lucro Kamikaze ou da falta de consciência social, estão engrossando o coro de Millan d’Astray e à sua própria maneira estão repetindo com o general franquista: "Viva a morte!"
Na realidade, esta é a grande questão ética, segundo a qual todas as outras devem se ordenar. É saber qual a resposta a uma pergunta de Albert Einstein: "Será que estamos fazendo deste planeta um lugar melhor para se morar?" Ou estamos ao lado dos que não têm nenhuma preocupação com isto, pois, como dizem, a longo prazo estaremos todos mortos. A riqueza de nossa vida está muito relacionada aos significados que damos ao que fazemos.
Segundo o autor o que têm forte influência sobre nossos comportamentos é o nosso sistema de crenças e valores e é neste sentido que há quem diga: "Quer você acredite que pode, quer acredite que não pode, você está certo." Todos nós temos um conjunto de crenças e valores que fomos adquirindo ao longo da vida e que são determinantes do nosso comportamento. Algumas podem ser extremamente úteis, como acreditar que tudo o que nos acontece pode ser uma oportunidade. Outras podem ser negativas, como a de se acreditar vítima das circunstâncias, na base do "isto só acontece comigo". Em geral as pessoas não analisam os impactos de suas crenças sobre suas vidas e não sabem que podem e como mudá-las.
E pode-se concluir com o texto que a consciência de que o que obtemos da vida está profundamente relacionado às escolhas que fizemos ou fazemos nos permite estar abertos a identificá-las e ratificá-las ou retificá-las. E esta é uma grande escolha final. É possível mudar. E um bom modo de fazê-lo é com base em Jean P. Sartre: "Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim." Em suma, ser consciente das escolhas que fazemos é entrar no mundo mágico das possibilidades. É saber que existem infinitas formas e caminhos e que a vida é daqui para a frente.

Penso, logo existo?

  Penso, Logo Existo? (LAPIDAR O SER – 1998) Penso, logo existo? Existo? Então preciso pensar E produzir.   Bons pensamentos Perduram, Os ma...